Apresentação de duo no Música na Igreja une diferentes gerações no primeiro dia do 18º Femupe
Noite também contou com o concerto do trio português Iberian Ensemble, ecoando diferentes repertórios na Igreja Santa Maria dos Anjos
Sandra Peixoto – jornalista / Fotos Rener Boldrino
23 de outubro de 2026
A energia vibrante da Sonata a quatro mãos, de Wolfgang Amadeus Mozart, interpretada pelos pianistas Guido Lessa, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e Natã Costa, seu aluno, iniciou as apresentações musicais do 18º Festival de Música de Penedo (Femupe) e deu o tom que compõe o evento: a alegria e o brilho da música em suas diversas formas e manifestações culturais caminhando lado a lado da produção de conhecimento e da educação.
A programação do Música na Igreja, na Igreja Santa Maria dos Anjos, aconteceu antes da solenidade de abertura oficial e reuniu ainda o Duo IŞIK, formado pela cantora Milene Rodrigues e pelo pianista Antônio Eduardo, e o Iberian Ensemble, composto pelos músicos Alexandre Andrade, Ivan Oliveira e Joel Barbosa, em uma experiência que aproximou diferentes repertórios da arquitetura e da atmosfera do espaço religioso.
A força da Educação
Ao trazerem lado a lado aluno e professor, as apresentações em duo demonstraram o valor do ensino da Música, ressaltando a importância do olhar atendo e direcionado de quem leciona e do entusiasmo e dedicação de quem aprende. Como resultado, técnica, confiança e transformação de conhecimento em expressão artística.
Para Guido Lessa, levar a música produzida na universidade até o público é uma das grandes contribuições do festival. Professor de piano da Ufal, ele destacou o orgulho de compartilhar o palco com Natã, que este ano conquistou menção honrosa como melhor intérprete de música brasileira durante o 34º Concurso de Piano Souza Lima, realizado em São Paulo, reunindo pianistas de diversas regiões do país.
“Natã quebrou uma tradição que existia nesse prêmio: a de que apenas alunos do Sul e Sudeste ganharam. Então, é motivo de muito orgulho um aluno daqui da Ufal, uma universidade pequena, do Nordeste, conseguir quebrar isso. Foi a primeira vez que um aluno ganha fora desse eixo Sul-Sudeste ganhou o prêmio”, falou.
Para ele, conquistas como essa demonstram que há talentos em Alagoas capazes de alcançar espaços de destaque nacional e servem de incentivo para outros estudantes que percorrem o mesmo caminho.
O repertório apresentado também contou essa história. As obras brasileiras que Natã levou ao concurso integraram sua trajetória de preparação, enquanto a sonata de Mozart e uma das Danças Húngaras, de Johannes Brahms, fizeram parte do programa executado em duo com o professor.
A experiência do jovem pianista ajuda a dimensionar a importância da educação pública na formação artística. Natã conta que, inicialmente, pensava em seguir a carreira de veterinário. O interesse pelo piano, que começou com a prática do teclado, abriu outra possibilidade: ingressar na Licenciatura em Música, com ênfase em piano, para estudar com um professor qualificado. “Hoje estou colhendo os frutos, que é o estudo dedicado e graças, também, à educação pública. E pretendo seguir uma carreira na área, como solista nacional e quem sabe, se Deus quiser, internacional”, projeta.
A fala de Natã destaca a importância que a universidade pública desempenha um papel fundamental ao oferecer formação, ampliar perspectivas e criar condições para que novos músicos desenvolvam suas potencialidades. Como consequência, o conhecimento é compartilhado com a sociedade, aproximando academia e sociedade.
O segundo concerto foi do Duo IŞIK, com o pianista Antônio Eduardo e a soprano Milene Rodrigues, ambos de São Paulo (SP). A palavra, de origem turca, significa “luz” e traduz a relação construída ao longo dos anos entre os dois, já que o professor a acompanha desde o início de sua trajetória música, aos 11 anos. Desde então, ele acompanhou etapas importantes de sua formação. “O Antônio me ajudou na minha carreira a me empurrar em concursos, em recitais e em trabalhar o repertório. E eu fui aquela pessoa que sempre estava alegre na vida dele. Então fomos luz na vida do outro e, quando fazemos o nosso duo, acreditamos que trazemos um pouco de luz para a vida das pessoas, um pouco dessa alegria; daí a origem do nome”, explicou Milene sob os olhos atentos e orgulhosos do professor.
Para o festival, considerado por Antônio Eduardo como uma oportunidade de a universidade romper os muros e estar próximo à comunidade, cumprindo o seu papel acadêmico de pesquisa e extensão, a dupla preparou um repertório que aproxima diferentes referências musicais, incluindo obras do compositor santista Gilberto Mendes e peças inéditas de Alicia Bidatti.
A música encontra o espaço
O primeiro dia do Música na Igreja foi encerrada com o concerto do Iberian Ensemble, que estreito a relação entre a música e o ambiente ao escolher um repertório com obras do século XVIII pensadas para dialogar com a arquitetura do espaço, segundo ressaltou Alexandre Andrade.
Para o sábado (23), a programação na Igreja Santa Maria dos Anjos continua com as apresentações do Grupo Noite Erudita (AL), às 17h; Recital de Violão com Mário Ulloa (BA), às 17h30; e o Recital ao Piano com Inês Felipe (Portugal), às 18h.
O Femupe
O Festival de Música de Penedo (Femupe) é uma realização da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), executado por meio do Centro de Musicologia de Penedo (Cemupe) e da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc).
O evento é fruto da união institucional com o Sesc Alagoas, Prefeitura de Penedo, Banco do Nordeste, Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Associação dos Empresários e Empreendedores do Turismo e da Economia Criativa de Penedo (Astec), Sebrae Alagoas, Sociedade Montepio dos Artistas de Penedo e outros parceiros.












