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Sextou cultural: Tarde conta com manifestações artísticas em Penedo

Ensaios abertos de orquestras e música instrumental concluíram a programação da tarde de sexta

Layla Alves – estudante de Jornalismo - fotos Renner Boldrino e Roberta Brito

26 de outubro de 2026

As atrações do Festival de Música de Penedo (Femup) estão a todo vapor! Na sexta-feira também ocorreram apresentações diversas, explorando a multipolaridade da cultura nordestina musical. Artistas de orquestra, guitarra, piano, entre outros, realizaram espetáculos gratuitos para o público.

 

“A gente está se apresentando hoje através de um projeto chamado Noite Erudita, que já existe de forma independente,” falou Luiz Carlos Ferreira, maestro da Orquestra Camerata Vox Angelório, que iniciou a tradecom um ensaio aberto.

 

“É um projeto que funciona através da união de alguns músicos de vários locais do estado, de artistas de Boca da Mata, Maceió, Jundiaí, Xexéu, de outro estado, e que aos poucos a gente vai se reunindo para fazer esses concertos de música erudita, e algumas vezes também de música popular, com a finalidade de difundir a música”, continuou.

 

Voz é instrumento

 

Egresso da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz se tornou maestro há cerca de dois anos, quando ainda era um estudante universitário. Segundo ele, a posição veio da necessidade de criar um grupo musicista dentro da igreja.

“A gente tinha músicos. A gente não tinha pianistas. A gente não tinha quem tocasse violão. Mas tinha vários instrumentistas de sopro, e aí foi que surgiu esse grupo”, explicou Ferreira, ressaltando o papel da voz como um instrumento vivo. Ele participou anteriormente do Festival de Música de Penedo, e descreve a sensação de voltar: “É que o negócio está dando certo. O negócio está progredindo, né? E também de realização, muita realização”, disse Ferreira.

 

Após o ensaio aberto da Camerata Vox Angelório foi a vez do Ensaio de Orquestra da Maestrina Sarah Higino, que conta com um grupo que mistura jovens talentos e musicistas com mais tempo de casa.

 

Lugar da mulher é na arte

 

Dentro dessa perspectiva, a presença das mulheres em posições respeitadas no mundo da música é algo que tem sido conquistado através dos anos. Juliana Santos, aluna de música da Universidade Federal de Alagoas e frequentadora do Femupe, falou sobre a experiência de ser mulher no cenário artístico: “Eu venho de uma filarmônica lá em Marechal Deodoro, eminha maestrina é a única mulher que rege as filarmônicas. São oito filarmônicas no total. E de regente só tem uma mulher. Então, desde criança eu vejo isso. Ela tambémfoi a primeira mulher em Marechal Deodoro, por exemplo, a reger uma banda. Ela é a minha inspiração.” contou Santos.

 

A estudante também falou sobre o valor do Festival de Música de Penedo para ela como saxofonista: “É muito interessante estar aqui, porque todo ano a gente aprende coisas novas e seria muito interessante que todas as comunidades, todos os estados e municípios conseguissem participar desse evento, porque é um evento que só tem acrescentado na vida, tanto musical quanto para quem é professor.”

 

Apresentações

 

Além das Orquestras, a tarde de sexta-feira também promoveu shows de música instrumental. O projeto SescApresenta contou com a manifestação artística do pianista Kiko Continentino (Rio de Janeiro) e do guitarrista Potiguara Menezes (Espírito Santo), no Teatro Sete de Setembro.

 

Cada um dos musicistas seapresentou individualmente, e, depois, também compartilharam o palco. Kiko Continentino, no piano, envolvia a plateia, que acompanhava tudo atentamente. Sua apresentação trouxe uma surpresa marcante: o pianista chamou Gileno Santana, trompetista conceituado, para dividir o palco.

 

Amores e reencontros

 

“O primeiro contato que eu tive com o instrumento foi quando eu tinha uns sete ou oito anos, que a minha irmã ganhou um violão e ela tocava. Na época, havia aquelas revistinhas que a gente chamava de vigu. Estou entregando a minha idade aqui,” disse Potiguar Menezes, relembrando como começou sua jornada com a música, que já dura cerca de 40 anos: “Eram umas revistinhas impressas que você comprava na banca e tinha lá a letra da música, os acordes e como montar os acordes no braço. Então, a gente aprendia assim, meio autodidata. Aí vendo que eu tinha um certo interesse, mas eu nasci numa família humilde, não tinha muito dinheiro para pagar aula particular, mas meu pai é capoeirista, tinha um amigo [...] aí o amigo vinha de vez em quando, quando dava, e ensinava um pouquinho.”

 

Apesar do interesse, o violão não foi um amor à primeira vista para Menezes: “Não dei muita bola não, confesso. Eu gostava mais de tocar os instrumentos de percussão na roda de capoeira, essas coisas assim, do que tocar de fato o violão. Aí, depois, quando eu tinha por volta de uns 12 anos, 14 anos, não lembro exatamente, num projeto social que era chamadoUniversidade Livre de Música – chamava universidade, mas era um projeto para crianças – eu consegui uma vaga lá para musicalização. Foi aí que, de fato, comecei a estudar guitarra a fundo. Aí virei roqueiro, depois pagodeiro, depois todos os ‘eiros’ possíveis”, disse.

A paixão tardia deu frutos. Potiguar realizou sua estreia no Festival de Música de Penedo nesta sexta. O artista afirmou que o solo de guitarra seria seu verdadeiro monólogo. Menezes também destacou que a pandemia fez ele olhar no espelho da música, com melodias inspiradas na mãe, no nordeste e em suas reflexões pessoais.

 

Show ao ar livre

 

Kawê Sax e Quarteto Jatobá marcaram presença no Palco Penedo, instalado no Largo da Igreja de São Gonçalo Garcia. O que começou como uma apresentação despretensiosa, chamou a atenção de quem passava por perto, de crianças a adultos.

Uma simples caminhada na rua, uma ida ao trabalho ou uma volta da escola se transformou em um show. Em Penedo, cultura é isso.

 

Cultura popular

 

“Cultura é algo inexorável, imensurável. Toda aquela marca, todo aquele registro que a gente consegue deixar na humanidade e perdurar. Um registro bom, de preferência, pode ser considerado cultura. Nossos hábitos do dia a dia é uma cultura. E as artes, elas se conectam a esses hábitos, a essa rotina e trazem um pouco de leveza. Em vários casos, outras vezes a arte também traz um peso que é necessário para a nossa reflexão e conscientização enquanto ser humano,” reforçou o maestro Luiz Ferreira.

 

“É tudo isso que a gente faz no dia a dia que reúne pessoas de diferentes religiões, diferentes culturas, diferentes classes sociais. Então, cultura é tudo aquilo que une em um só meio, pessoas de várias regiões,” disse a aluna Juliana.

 

O Femupe

 

O Festival de Música de Penedo (Femupe) é uma realização da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), executado por meio do Centro de Musicologia de Penedo (Cemupe) e da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proexc).

 

O evento é fruto da união institucional com o Sesc Alagoas, Prefeitura de Penedo, Banco do Nordeste, Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Associação dos Empresários e Empreendedores do Turismo e da Economia Criativa de Penedo (Astec), Sebrae Alagoas, Sociedade Montepio dos Artistas de Penedo e outros parceiros.

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